Conheça a engenheira formada na UFSM que estagiou na Nasa e trabalhará em projeto inovador da Embraer

Arianne Lima

Conheça a engenheira formada na UFSM que estagiou na Nasa e trabalhará em projeto inovador da Embraer
Não é de hoje que se percebe a presença feminina crescendo em diversas áreas. Engana-se quem acha que o caminho foi trilhado com facilidade. As conquistas vêm de lutas contra o preconceito, o machismo e o racismo ao longo da história. Neste sábado (11), celebra-se o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, e Santa Maria tem muitos talentos neste quesito.

Em 2015, a igualdade de direitos entre homens e mulheres foi um dos objetivos defendidos pela Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em uma assembleia geral.

Conforme dados da agência, atualmente, as mulheres representam apenas 35% das pessoas que buscam o Ensino Superior em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática no mundo todo. Além disso, elas correspondem a menos de 30% dos pesquisadores científicos.

A engenheira eletricista Raíssa Raimundo da Silva, 29 anos, faz parte deste cenário, sendo reconhecida como um exemplo a ser seguido para além do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Fotos: Nathália Schneider (Diário)

Início de um sonho

Moradora do Bairro Camobi, Raíssa sempre se dedicou aos estudos no Colégio Estadual Edna May Cardoso. O amor por aprender novas línguas a fez pensar que seria professora de Inglês, mas os planos mudaram. Aos 14 anos, ela passou nos processos seletivos do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (Ctism) e do Politécnico. Acabou optando por ingressar no primeiro, no qual faria o curso técnico em Eletrotécnica integrado ao Ensino Médio.

– Era tudo novo. Um desafio muito grande e aquilo fez meus olhos brilharem, porque apesar de amar o inglês e já ter um desenvolvimento muito bom, aquilo me fascinou. Entrar em contato com eletricidade foi algo fascinante. A partir dali e pelo gosto do desafio, acabei decidindo cursar Engenharia Elétrica.

Em 2011, Raíssa realizou a prova do Programa Especial de Ingresso ao Ensino Superior (Peies) para ser admitida no tão sonhado curso da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Desafios

Enquanto mulher, negra e estudante de escola pública, Raíssa teve que encontrar formas de não se abalar com as situações apresentadas, principalmente, na universidade.

– Sentimos o preconceito, o tratamento diferenciado na área. Uma mulher não consegue chegar em uma reunião e ir diretamente aos negócios. Primeiro, ela precisa provar que é capaz intelectualmente de lidar com aquela situação para depois começar a falar de negócios, ciência e tecnologia. Então, eu senti essa diferença durante todo o percurso – destaca Raíssa.

Pelo protagonismo feminino e as conquistas de sonhos por meio da ciência

Entre as conquistas relatadas por Raíssa durante a trajetória acadêmica, está a realização de um intercâmbio entre 2013 e 2014. A oportunidade permitiu que ela estudasse na Universidade Católica da América, na capital dos Estados Unidos.

– Tinha um programa do governo chamado Ciências sem Fronteiras – atualmente extinto –, no qual os alunos podiam ficar um tempo no Exterior fazendo intercâmbio. Fiquei um ano em Washington D.C. e fiz estágio na Nasa (Agência Espacial Americana) também – relata.

O amor pela eletricidade levou Raíssa a se formar em Engenharia Elétrica pela UFSM em 2016. Hoje, ela exibe o diploma com orgulho e busca estimular outras meninas a correm atrás dos próprios sonhos. Fotos: Nathália Schneider (Diário)

Nasa

Raíssa participou do projeto para estudantes de graduação chamado “Undergraduate Student Instrument Project”. Lá, ela percebeu como as contribuições das cientistas negras Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson na década de 1960 foram essenciais para abrir portas para novas gerações.

A história das três mulheres é contada no filme Estrelas Além do Tempo. Na agência governamental, o grupo foi responsável por feitos que vão desde o ensino de programação para outras mulheres, a realização do cálculo de trajetória do voo do Apolo 11 até o pioneirismo feminino e negro em cargos da instituição. Para a engenheira, a experiência foi memorável:

– Foram nove meses de estágio. Trabalhei com grandes empresas, tive contato com várias pessoas e lá foi um dos lugares em que me senti mais à vontade, em que não havia julgamento por ser uma mulher negra. Então, acho que foi por causa das que vieram antes, que passaram por isso (julgamento), que houve mudança de cultura. Hoje, enquanto mulher negra e brasileira, foi um prazer trabalhar com aqueles pesquisadores.

Foto: arquivo pessoal

Amor pela pesquisa

Enquanto ainda realizava a graduação em Engenharia Elétrica na UFSM, Raíssa estagiou também nas empresas Weg Motores e Weg Energia. Após a conclusão do curso, garantiu uma vaga na Sew Eurodrive Brasil, uma multinacional de origem alemã. A oportunidade levou a santa-mariense para Campinas, interior de São Paulo. Enquanto trabalhava com o desenvolvimento de motores elétricos de indução, ela resolveu dar continuidade à carreira acadêmica.

– Eu trabalhei por cinco anos na empresa Sew, que fica próximo a Campinas, e aprovei para me inscrever no mestrado na Unicamp, que hoje é considerada a segunda melhor universidade do país. Fui aceita e consegui entrar, o que já é algo bem difícil. Fiz meu mestrado na área de detecção de falhas de motores elétricos de indução.

Evolução

Na formação, a engenheira eletricista também conta com um MBA (sigla de Master in Business Administration) em Gerenciamento de Projetos na Fundação Getúlio Vargas. Enquanto cursava o primeiro semestre do doutorado em Engenharia Elétrica na UFSM, em 2022, ela foi convidada a retornar a São Paulo.

– No ano passado, recebi o convite para retornar para a área de motoras lá em São Paulo. Surgiu um novo projeto da Embraer em parceria com a Unicamp e Instituto Tecnológico de Aeronáutica para iniciar a pesquisa de eletrificação de aeronaves – conta Raíssa, que deve exercer a função de projetista de motores, tendo a missão de estudar quais são os modelos elétricos ideais para fazer a propulsão da aeronave.

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